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ago 19, 2016

ENCADEAMENTO PRODUTIVO: a parceria em que todos ganham

Quando um grande empre­endimento começa em uma região, falta tudo, de servi­ços de manutenção a hospedagem.”

Essa constatação, feita por Renato Regazzi, gerente de Grandes Empreendimentos do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, seção Rio de Janeiro (Sebrae/ RJ), resume a importância do programa de adensamento de cadeias produtivas de grandes empreendimentos que a ins­tituição vem desenvolvendo no Estado como parte do Programa Nacional de Encadeamento Produtivo.

O projeto já beneficiou dezenas de empresas que se credenciaram a ser for­necedoras de empreendimentos, como o Porto Maravilha, na capital, o Complexo Portuário e Industrial do Açu, no norte do Estado, e as oficinas de reparos de turbi­nas aéreas da GE Aviation (antiga Celma), em Petrópolis, na Região Serrana. No Relatório de Atividades de 2015 da Área de Grandes Empreendimentos, o Sebrae/ RJ relata 35 casos de empresas que já obtiveram sucesso com o programa.

Regazzi conta que, para executar seus serviços de altíssima tecnologia, a GE era obrigada a importar ferramentas dos Estados Unidos, embora o desejo da empresa fosse adquiri-las no mercado local. Segundo o Relatório de Atividades de 2015 da Gerência de Grandes Empreendimentos (GGE) do Sebrae/ RJ, foram trabalhadas inicialmente dez empresas, sendo nove industriais, das quais, de acordo com Regazzi, quatro já foram cotadas pela GE e três haviam se tornado fornecedoras da multinacional. Entre a época dos resultados iniciais medidos e julho do ano passado foi cons­tatada uma redução de 14% nos custos de produção das empresas credenciadas.

O trabalho começa com um diagnóstico da demanda das grandes empresas instaladas em determinadas regiões e de uma avaliação do nível de com­petitividade das micros e pequenas empresas instaladas na área de influ­ência daquele projeto. A partir daí é feito o cruzamento entre a demanda das grandes empresas e a oferta das MPEs. O gerente do Sebrae/RJ expli­ca que a interação com as grandes empresas não só aumenta as oportu­nidades de negócios para os micros e pequenos empreendimentos como também representa um passo estra­tégico para que elas possam ganhar competitividade, tornar-se sustentáveis econômica, ambiental e socialmente e se inserirem em um contexto de busca por inovações.

Assim como na GE Aviation, já foram desenvolvidos no Estado do Rio de Janeiro trabalhos de qualificação de fornecedores para empresas, como a CEG (gás natural), a Supergasbras (GLP) e a Condor, fabri­cante de armas não letais instalada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Atualmente estão em andamento nove programas, começando pelo Complexo do Açu, em Campos dos Goytacazes e Barra de São João. Há dois projetos de quali­ficação de serralheiros par a Siderúrgica Gerdau, um na Região Serrana e vizi­nhança (Nova Friburgo e Cachoeiras do Macacu) e outro no Médio Paraíba (Marra Mansa e Volta Redonda), e mais um em torno da Gerdau, para qualificar fornece­dores de excelência na região da antiga Cosigua (Santa Cruz).

Estão em curso também dois projetos envolvendo obras do grupo Odebrecht, um no Comperj (Itaboraí, São Gonçalo e Niterói), apesar da paralisação, que se espera circunstancial, e outro para obras na capital, como o Porto Maravilha, a Linha 4 do Metrô e a expansão do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão).

Há ainda um projeto no Polo Automotivo do Médio Paraíba (Resende, Itatiaia e Porto Real), um para desenvolver forne­cedores para o Setor Náutico (Angra dos Reis, Paraty e Mangaratiba), com foco na construção dos submarinos nucleares da Marinha do Brasil, e outro envolvendo a petroquímica Braskem, centralizado em torno da Rio Polímeros, central gasquími­ca do polo de Duque de Caxias (Baixada Fluminense).

De acordo com Regazzi, o objetivo do programa de qualificação é buscar o encadeamento não apenas a mon­tante (para trás) do grande empre­endimento, no caso, os fornecedores, como também à jusante (adiante, no jargão hídrico), ou seja, estimular o desenvolvimento de potenciais compradores da produção das grandes empresas.

Ele dá o exemplo da Braskem, onde o trabalho também se concentra no estímulo ao crescimento das empresas de terceira geração petroquímica, os transformadores das resinas termo­plásticas em produtos de plástico, muitos deles instalados nos últimos anos no Rio de Janeiro graças a estí­mulos criados pelo governo do Estado.

Regazzi destaca ainda, na cadeia de clientes do setor petroquímico, o setor de reciclagem, cujo desenvolvimento é cada vez mais um imperativo para os fornecedores de resinas, preocupados com a chamada logística reversa, ou seja, que o destino final dos seus pro­dutos seja conhecido e reconhecido por não agredir o ambiente.

Motofog Fumacê

Nestes tempos de combate a infestações do mosquito aedes aegypti e às terrí­veis doenças por ele transmitidas, uma empresa participante do programa de encadeamento produtivo nas obras do Porto Maravilha chamou a atenção.

A Fumajet Indústria e Comércio, ini­cialmente uma fabricante de produtos químicos para combate a insetos, evo­luiu para uma empresa de tecnologia em controle ambiental, segundo relato de seu sócio-diretor Marcius Victório da Costa. “Éramos uma indústria, hoje somos uma empresa de soluções tecno­lógicas”, comemora.

Uma das inovações da Fumajet foi a criação do Motofog Fumacê, um sistema de aspersão de produtos contra pragas e insetos que é acoplado a uma motocicle­ta, acessando locais inalcançáveis para veículos de quatro rodas e utilizando a própria força do motor do veículo para aspergir o produto.

Para se credenciar como fornecedora do Porto Maravilha, a empresa passou por processos de certificações e assumiu compromissos técnicos e ambientais, incluindo o de reduzir em 30% ao ano a aspersão de produtos químicos na atmosfera sem perda de eficiência. Costa está comemorando este ano a conquista do segundo lugar no Prêmio MPE Brasil, categoria Inovação.

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